Diva, divaga, divagação

Ah meu destino. Esperei tanto tempo por ti.
Não me dava conta que tinha de buscar, te encontrar, te segurar!
Agora contigo me agarro visceralmente.
Qual de nós sobreviverá?
Não importa: “minha alma” agora sabe.
Tudo lhe entreguei!!!

Porto Alegre, 20 de julho de 2012

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Palavras

Rafaela Knebel Crocco

Artur Júnior dos Santos Lopes

Expressar em palavras o que sinto. Parece que as palavras não tem esta capacidade. Não dão conta deste intento na totalidade. Me atrevo.

Estou tranquilo, envolto, alto mar, cercado. Apenas horizonte e céu, azul. Dia ensolarado. Brisa suave: que anima, refresca. Percebe-se: imensa liberdade. Imensa ausência de referencia. Suspensão de juízos.

Neste confortável ambiente: me desloco. Vivo. Te encontro. E aqui, neste local, nos amamos, vivemos. Frente a enormidade que reconheço: estou tranquilo. Frente aos desafios que se apresentam: sigo te amando.

Tu és, na minha vida, de uma forma muito especial. A intensidade, com a qual te desejo, é a intensidade com que o animal selvagem deseja a caça. Disso depende a própria vida. Sobrepujar a morte. Luta entre perder-se e encontrar-se. Erótico desejo do Céu pela Terra. É o desespero amante. É o pavor apaixonado. É a torpe sobriedade.

Despertas estas sensações em mim. Ensinas que elas são possíveis. Por isso te aprendo a cada instante. Te desejo mais e mais. Algumas vezes, parece que meu peito não tem espaço suficiente para manter tanto bem querer. Nestes momentos te olho nos olhos. Te abraço. Te beijo. Te possuo. Deixo transbordar!

Te amo!

Bjos!

Porto Alegre, 14 de junho de 2012.


http://youtu.be/eHbvsMJYjfw

http://youtu.be/eHbvsMJYjfw

Nós Artistas

Nós artistas, somos assim…
Nada mais precisa ser dito. Somos neste mundo.
Vivemos este mundo.
Sentimos o mundo.
E ele é feio. E nós sofremos. E queremos denunciar as suas lástimas…
Nós os artistas… infelizes artistas… mas somos assim.
Como diria Sartre: não somos responsáveis pelas condições que nos trazem até aqui, mas somos responsáveis pelo que fazemos delas.
Talvez esta seja nossa maldição. Denunciar o que há…
Que bom que somos artistas. Que bom que sofremos frente a realidade.
Que bom que temos forças para sobreviver…
É uma grande dor, e um grande prazer…
Não estará aí tudo o que é mais erótico: o que nos consome o que nos faz sermos o que somos?
Eu acho que é isso.
Hoje, vai sem data, sem formato, sem nada, apenas o que somos:

ArtistasImagem


Nós Artistas

Nós Artistas

Nós artistas, somos assim…
Nada mais precisa ser dito. Somos neste mundo.
Vivemos este mundo.
Sentimos o mundo.
E ele é feio. E nós sofremos. E queremos denunciar as suas lástimas…
Nós os artistas… infelizes artistas… mas somos assim.
Como diria Sartre: não somos responsáveis pelas condições que nos trazem até aqui, mas somos responsáveis pelo que fazemos delas.
Talvez esta seja nossa maldição. Denunciar o que há…
Que bom que somos artistas. Que bom que sofremos frente a realidade.
Que bom que temos forças para sobreviver…
É uma grande dor, e um grande prazer…
Não estará aí tudo o que é mais erótico: o que nos consome o que nos faz sermos o que somos?
Eu acho que é isso.
Hoje, vai sem data, sem formato, sem nada, apenas o que somos:

ArtistasImagem


Fim desta etapa…

Estou me tornando Bacharel em Filosofia. Uma etapa que se encerra. Embora, agora eu inicie outra: fui selecionado para o Mestrado. Novos desafios. Muitas alegrias. Devo assinar o contrato do aluguel do meu apartamento amanhã. Isso tudo está uma loucura, mas está muito bom. Muito obrigado a todos que me ajudaram.

Agora eu quero é ganhar o mundo!!!

20111205-TCC-Trabalho

Porto Alegre, 12 de Dezembro de 2011.


Nietzsche – Do Grande Anelo

Já havia postado este texto junto com outros partes do livro Assim falava Zaratustra. Desculpem, mas minha predileção por ele me fez postá-lo novamente.
Muito obrigado, bjos!

DO GRANDE ANELO
“Alma minha, ensinei-te a dizer “hoje”, como “um dia” e “noutro tempo” e a passar dançando por cima de tudo aqui, acolá e além.
Alma minha, livrei-te de todos os recantos; afastei de ti o pó, as aranhas e a obscuridade.

Alma minha, lavei-te do mesquinho pudor e da virtude meticulosa, e habituei-te a estar nua ante os olhos do sol.

Com a tempestade que se chama “espírito” soprei sobre o teu mar revolto e expulsei dele todas as nuvens e até estrangulei o estrangulador que se chama “pecado”.

Alma minha, dei-te o direito de dizer “não” como a tempestade, e de dizer “sim” como o céu límpido: agora estás serena como a luz e passas através das tempestades.

Alma minha, restituí-te a liberdade sobre o que está criado e por criar; e quem como tu conhece a volutuosidade do futuro?

Alma minha, ensinei-te o desprezo que não vem como o caruncho, o grande desprezo amante que onde mais despreza mais ama.

Alma minha, ensinei-te a persuadir de tal modo; que as próprias coisas se te rendem: tal como o sol que persuade o próprio mar a erguer-se à sua altura.

Alma minha, afastei de ti toda a obediência, toda a genuflexão e todo o servilismo; eu mesmo te dei o nome de “trégua de misérias” e de “destino”.

Alma minha, dei-te nomes novos e vistosos brinquedos, chamei-te “destino” e “circunferência das circunferências”, e “centro do tempo” e “abóbada cerúlea”.

Alma minha, dei a beber ao teu domínio terrestre toda a sabedoria, já os vinhos novos, já os mais raros e fortes da sabedoria, os de tempo imemorial.

Alma minha, derramei em ti todo o sol e toda a noite, todos os silêncios e todos os anelos: cresceste então para mim como uma vida.

Alma minha, agora estás aí, repleta e pesada, como vide de cheios úberes, de dourados cachos exuberantes; exuberante e oprimida de ventura, esperando entre a abundância e envergonhada da sua expectação.

Alma minha, agora já não há em parte alguma alma mais amante, mais ampla e compreensiva! Onde estariam o futuro e o passado mais perto um do outro do que em ti?

Alma minha, dei-te tudo, por ti esvasiei as mãos… e agora! Agora dizes-me sorrindo, cheia de melancolia: “Qual de nós dois deve agradecer?”

Não é o doador que deve estar agradecido àquele que houve por bem aceitar?

Não será uma necessidade o dar? Não será… pena aceitar?

Alma minha, compreendo o sorriso da tua melancolia: a tua exuberância estende agora as mãos anelantes!

A tua plenitude dirige os seus olhares aos mares rugidores, busca e aguarda: o desejo infinito da plenitude lança um olhar através do céu sorridente dos teus olhos!

E na verdade, alma minha, quem te veria o sorriso sem se desfazer em lágrimas?

Os próprios anjos prorrompem em pranto vendo a excessiva bondade do teu sorriso.

A tua bondade, a tua bondade demasiado grande, não se quer lastimar nem chorar, e, contudo, alma minha, o teu sorriso deseja as lágrimas, e a tua trêmula boca os soluços.

“Não será todo o pranto uma queixa, e toda a queixa uma acusação?” Assim dizes contigo, e por isso preferes sorrir, alma minha, a derramar a tua pena, a derramar em torrentes de lágrimas toda a pena que te causa a tua plenitude e toda a ansiedade que faz que a vinha suspire pelo vindimador e pelo podão do vindimador.

Se não queres chorar, porém, chorar até o fim a tua purpúrea melancolia, precisas cantar, alma minha. — Já vês: eu, que predico isto, eu mesmo sorrio. — Precisas cantar com voz dolente, até os mares ficarem silenciosos para escutar o teu grande anelo.

Até que em anelantes e silenciosos mares se balouce o barco, a dourada maravilha, em torno de cujo ouro se agitam todas as coisas boas, más e maravilhosas, e muitos animais grandes e pequenos, e tudo quanto possui pernas leves e maravilhosas para poder correr por caminhos de violetas até à áurea maravilha, até à barca voluntária e até ao seu dono.

Ele é, porém, o grande vindimador que espera com a sua podadeira de diamante, o teu grande libertador, alma minha, o inefável… para quem só os cantos do futuro sabem encontrar nomes. E na verdade, já o teu hálito tem o perfume dos cantos do futuro, já ardes e sonhas, já a tua sede bebe em todos os poços consoladores de graves ecos, já a tua melancolia descansa na beatitude dos cantos do futuro!

Alma minha, dei-te tudo, até o meu último bem, e as minhas mãos por ti se esvaziaram: ter-te dito que cantasses foi o meu último dom.

Disse-te que cantasses. Fala, portanto, fala: qual de nós dois deve agora agradecer? Mas não; canta para mim, canta, alma minha! E deixa-me agradecer-te!”

Assim falava Zaratustra.

NIETZSCHE, Freidrich Wilhelm. Assim falava Zaratustra. Disponivel em: http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/zara.html#63

Porto Alegre, 29 de Dezembro de 2010


Scheler e Freud: Atrito do conhecimento

 

Artur Júnior dos Santos Lopes 

INTRODUÇÃO

“A civilização humana, expressão pela qual quero significar tudo aquilo em que a vida humana se elevou acima de sua condição animal e difere da vida dos animais – e desprezo ter que distinguir entre cultura e civilização -, apresenta, como sabemos, dois aspectos ao observador.” (Freud, pág. 10)

Neste trabalho pretendo apresentar de uma forma sucinta o atrito do conhecimento produzido por Max Scheler e Freud. Tenho consciência de que neste momento apenas poderei apresentar uma parca apreciação das idéias de cada um e talvez alguns pontos comuns entre estes dois expoentes da intelectualidade humana.

O problema que gostaria de abordar é: Como justificar um espírito sem força na teoria de Scheler? Como pode tal espírito apresentar qualquer valor a volição humana? Onde reside tal espírito e o que pode querer?

1.    APRESENTAÇÃO DOS PONTOS

Aqui pretendo uma rápida abordagem sobre a visão de cada um dos autores. Primeiro colocarei como Scheler percebe o Espírito e a sua refutação das doutrinas negativas. Em outro ponto apresentarei como Freud percebe a repressão do instinto e como podemos perceber a relação com o Espírito de Scheler.

Quero perceber a diferença de abordagem entre os autores e buscar os pontos convergentes destas duas doutrinas, seus pontos fortes e onde precisam ser melhor trabalhados.

1.1.       SCHELER

Em Scheler podemos perceber a procura pela apresentação de um espírito que é parte da essência humana e que por isso traz uma diferenciação radical do animal. Scheler apresenta um espírito que busca apresentar idéias para a volição humana. Idéias estas que em geral contrariam os instintos. Amainam o ser humano para que seja possível o contato social.

Scheler credita ao espírito a capacidade de transcender as necessidades humanas e apresentar valores diferentes dos valores animais. O espírito em Scheler não tem força, é apenas uma centelha que apresenta ao animal outras possibilidades de escolhas que não apenas as da pulsão vital. Valores como a solidariedade, a amizade, o respeito, nos parecem exemplos de tais valores espirituais.

Neste ponto precisamos concordar com Scheler. Contudo sua teoria apresenta problemas. Sendo tão frágil e tão volátil o espírito nos aparece uma questão: Onde reside este espírito? Se é tão imaterial onde ele existe?

1.2.       FREUD

Por sua vez Freud nos apresenta um posicionamento exato deste mecanismo humano e psicológico que freia o impulso animal. Na teoria freudiana percebe-se o Super Ego como parte da estrutura psíquica responsável por coibir a plena expressão do ID pelo Ego. Ficando assim frustrada uma das principais tarefas do Ego: a de ser o Executivo do ID. Aqui temos um posicionamento bastante claro do que e onde está o que refreia o animal humano. Freud nos apresenta um aprofundamento muito sério e minucioso das complexas estruturas inconscientes que fazem do ser humano ser o que é.

Mas esta apresentação, dizer onde está é suficiente? Parece que não. Existem muitas perguntas aqui que ficam sem resposta. Por exemplo: Como surge a divisão entre estas três porções da psique humana. ID, Ego e Superego? Por que surge tal divisão? Neste ponto Freud fica sem uma resposta.

2.    O DIÁLOGO SCHELER-FREUD

Percebo aqui a possibilidade de diálogo entre os dois intelectuais. Scheler tem dificuldades em radicar os espírito, mas é muito feliz ao mostrar onde se dá a ruptura entre a pulsão vital e a sua repressão. Por sua vez, Freud consegue localizar muito bem as estruturas pulsionais e de repressão existentes no ser humano. Mas não consegue satisfatoriamente colocar como exatamente estas estruturas se formam. Não consegue responder: como se fragmenta o ser humano

CONCLUSÃO

Pude depreender que a junção e a busca do posicionamento do espírito e a formação da ruptura entre a pulsão vital e a repressão instintual, antes de serem antagônicas se mostram complementares.

O assunto é controverso e polemico e poderia gerar uma aprofundamento muito maior, mas neste momento parece ser muito produtivo apresentá-lo e dedicar maior esforço na coleta de informações e materiais.

BIBLIOGRAFIA

FREUD, Sigmund. The Future of an Illusion, 1928 Londres: Hogarth Press e Instituto de Psicanálise. 98 págs. (Trad. de W.D. Robson-Scott.).

SCHELER, Max. A posição do Homem no Cosmos. Editora Forense Universitária, Rio de Janeiro, 2003, 123págs.

Porto Alegre, 01 de Dezembro de 2008.