Momento III – Para Introduzir!!!

1 INTRODUÇÃO
Percebo que o tempo em que vivemos está repleto de desafios. Entre eles destaco a possibilidade de vivermos sobre a constante pressão de valores neoliberais estabelecidos e cultuados como sagrados. Também a subtração das capacidades individuais em contraponto com uma crescente exigência social da obtenção de uma posição econômica privilegiada, a hipervalorização da acumulação de valores materiais, que em grande medida, colocam a vida humana como um comódite e que desta maneira a própria vida fica afetada pela especulação financeira, sem que se tome consciência, e ainda menos, que se tome partido nas consequências disso. Iniciando a reflexão sob este ponto de vista, percebo a necessidade de nos apropriarmos dos mecanismos sociais que fazem com que a alienação se dê neste formato e que frente a estas realidades, de alguma maneira, trabalhemos para que tais acontecimentos fiquem no passado de um contexto histórico: como uma lição aprendida, a qual, dedicamos nosso trabalho para que não mais volte a posição central em tempos vindouros.
Vencer este desafio, em meu ponto de vista, deve iniciar-se com a compreensão dos fatores que compuseram a sociedade em que vivemos, os fatores que nos trouxeram historicamente até aqui, para que desta maneira possamos analisá-los, e realizar a apropriação deles. A utilização destes mecanismos para que possamos construir uma virada histórica me parece fundamental. A realização da construção de uma nova história político filosófica deve se iniciar, não com uma desconstrução do que está estabelecido, mas como o manejo do instrumental atual para que de maneira imanente possamos atualizar as relações sociais de forma a comportar a riqueza plural de nossa sociedade, assim visando a transformação do cenário atual. Intuo que colabore para esta atividade o estabelecimento de uma filosofia brasileira que se afirme em sua identidade e que de maneira positiva mantenha um relacionamento vivo com as demais contribuições de outros países, mas que toda a contribuição externa sirva para a reflexão, engrandecimento e afirmação da identidade brasileira e que, as contribuições estrangeiras não sejam utilizadas como cartilha a ser seguida.
Desta maneira, é importante percebermos o problema que está proposto: quais são os mecanismos que compõem a axiologia hegemônica? Como nos apropriarmos dos instrumentos que realizam a alienação social, e consequentemente o esvaziamento axiológico? Uma vez que consigamos nos apropriar do aparato instrumental: como manejá-los a fim de termos uma sociedade mais igualitária, onde o ser humano saia da condição de mero comódite e assuma seu papel de construtor histórico e social dentro seu tempo?
Creio que seja possível buscar as respostas a estes problemas dentro do conceito de Luta por Reconhecimento na filosofia do jovem Hegel, principalmente no Sistema da Eticidade, na Realphilosophie e na filosofia mais madura da Fenomenologia do Espírito em especial o capítulo IV.A. Também me parece produtivo a utilização de parte do texto Honnethiano: Luta por Reconhecimento. Pois, que me parece muito elucidativa a atualização realizada por Honneth no conceito do reconhecimento e também as possibilidades de utilização do mesmo para a propositura de resolução das questões que estão em foco. Creio que a teorização a ser realizada seja bastante densa, mas necessária para que possamos concluir o intento de maneira satisfatória. Entretanto, apesar de considerar importante, tendo em vista o tempo para preparar este trabalho e a diversificação do tema, os problemas relacionados com o desrespeito tratados por Honneth não entrarão no escopo deste trabalho.
Em assim sendo, organizo a reconstrução histórica buscando as bases da filosofia social moderna estabelecida em grande medida por Maquiavel e Hobbes, este último que trabalha dentro da tradição contratualista (que não será abordada diretamente neste trabalho), modelo ao qual o Hegel do Sistema de Eticidade se opõe diretamente e busca a atualização em um formato de reconciliação de consciências individuais intersubjetivamente conectadas a qual o autor chama de Eticidade Natural. Destaca-se neste texto também o conceito de “Crime” que o autor percebe como sendo responsável pela ampliação da esfera do direito. Adiante no desenvolvimento verificamos a relação de reconhecimento dentro da Realphilosophie, que ganha mais complexidade e a introdução do espírito que se realizará de forma subjetiva, efetiva e absoluta no transcurso das relações sociais, que iniciam na família, percorrem as relações sociais até culminar no estabelecimento do Estado. Ainda dentro do sistema hegeliano realizo a verificação do conceito de reconhecimento dentro da Fenomenologia do Espírito no complexo capitulo IV, principalmente na parte A, onde o autor vai trabalhar sobre o viés da luta por reconhecimento dentro do desdobramento da consciência-de-si. É possível perceber nos três textos o papel da luta de vida e morte dentro da teorização realizada pelo autor, também com um relativo enfraquecimento da intersubjetividade na luta por reconhecimento, que no último texto será tratado para demonstrar como se dá a formação do espírito. A contribuição hegeliana é fundamental para que se compreenda o que adiante será exposto por Honneth, por isso recomendo fortemente o aprofundamento nestes textos a quem pretender seguir a trilha da luta por reconhecimento.
Seguindo na exposição do desenvolvimento do texto, me socorro com Honneth para compreender a atualização que este realiza no conceito de luta por reconhecimento, ampliando a intersubjetividade deste de forma teórica e empírica utilizando para esta finalidade os trabalhos de Mead, principalmente para teorização da esfera de relacionamento intersubjetiva denominada de esfera do “Amor”. Após este trabalho Honneth apresenta a complexa atualização da esfera “Direito” que vai apresentar as “propriedades estruturais que o reconhecimento jurídico assumiu” divididas entre reconhecimento jurídico e estima social. A esfera da solidariedade receberá grande aporte teórico sobre as considerações referentes à estima social.
Tenho consciência que este é um pequeno trabalho que tem uma grande pretensão. Gostaria que este fosse o primeiro passo no desenvolvimento de um trabalho que vai se desenrolar no amadurecimento da vida acadêmica. Dito isso, e uma vez tendo conseguido realizar esta pesquisa pretendo ser capaz de concluir este texto com minhas considerações a respeito da possibilidade de responder as questões postas acima. Fica a expectativa de que possa contribuir para a construção de uma sociedade com uma identidade própria que se faça respeitar e que tenha grandeza suficiente para conviver com os desafios de uma pluralidade que o mundo globalizado neoliberal apresenta.
Muito obrigado!

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Sobre Artur Lopes

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